Quem sou?

Passei a vida entre a sala de aula e a rua.

Dou aula de matemática na UFRJ há mais de vinte anos e nunca aceitei a ideia de que ciência é coisa de especialista falando com especialista.

Quando presidi o sindicato dos professores, em 2015, a universidade estava sendo estrangulada por cortes. Criamos a campanha Conhecimento Sem Cortes e mostramos que dava para reagir.

Escrevo também. “O dia em que voltamos de Marte” trata do que me move hoje: quem decide o que a ciência faz, e para quem.

Candidata a Deputada Federal

Minha Trajetória

A universidade

Aprendi matemática, mas o que estudo é como o conhecimento se constrói

Sou professora do Instituto de Matemática da UFRJ e há vinte anos trabalho com formação de professores. Isso quer dizer que passei duas décadas em salas onde a pergunta não era qual a resposta certa, e sim como se chega até ela — e por que tanta gente é convencida, no caminho, de que aquilo não é para ela.

Minha pesquisa é em história da matemática, e é ela que me formou politicamente. Quem estuda como uma ideia científica nasce descobre rápido que nenhuma nasce sozinha: há disputa, há financiamento, há gente que decide o que vale ser investigado. Ciência não é um oráculo que entrega verdades prontas para a política acatar. É trabalho humano, feito com dinheiro público, dentro de instituições que precisam ser defendidas.

Foi por isso que aceitei presidir a ADUFRJ, o sindicato dos professores da UFRJ. Mudei o jeito como o próprio sindicato decidia, ampliando a participação nas deliberações, e ajudei a construir a campanha Conhecimento Sem Cortes, quando a universidade estava sendo estrangulada por cortes de orçamento.

Também coordenei o Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ. Todas essas funções ensinaram a mesma coisa: decisão boa é decisão que muita gente ajudou a tomar e que ninguém precisa aceitar no escuro

2004

Professora da UFRJ

2015

Presidência do sindicato dos docentes da UFRJ

2022

Livro finalista do Jabuti

2023

1ª mulher na Secretaria de Ciência e Tecnologia

2024

Eleita vereadora do Rio pelo PSB

A Gestão

Descobri que orçamento é onde a prioridade aparece de verdade

Em 2022 fui candidata a deputada federal e recebi 30.764 votos no estado do Rio, ficando como primeira suplente do PSB. Em fevereiro de 2023 fui convidada pelo prefeito Eduardo Paes para assumir a Secretaria Municipal de Ciência e Tecnologia — a primeira mulher a ocupar o cargo desde que ele existe. Fiquei catorze meses. Foi o período em que mais aprendi sobre a distância entre ter uma boa ideia e conseguir executá-la.

Encontrei nove Naves do Conhecimento funcionando e saí com mais de quarenta espaços públicos. A ampliação não veio de construir quarenta prédios: veio de criar formatos novos, as Naves Satélite e as Navezinhas Cariocas, que cabem no orçamento e chegam onde o modelo grande nunca chegaria. Criei o Prêmio Elisa Frota Pessoa, para financiar mulheres na ciência, e o Programa Jovem Cientistas Cariocas, que paga bolsa para universitários trabalharem dentro dos equipamentos da prefeitura resolvendo problemas reais da cidade. Aproximei as universidades da gestão municipal, que é uma parceria que todo mundo elogia no discurso e quase ninguém formaliza. E assinei com a ABDI o convênio para o hub de inteligência artificial no Porto Maravalley, voltado a empresas criadas por quem sai da universidade.

O que levo dessa experiência é simples e pouco romântico: política pública não morre por falta de intenção, morre por falta de rubrica. Inclusão digital, popularização da ciência e qualificação profissional só existem quando alguém defende cada uma delas na hora de repartir o dinheiro. É essa disputa que quero fazer em Brasília.

A Escrita

Escrevo porque decidir é, antes de tudo, saber formular a pergunta

Meu livro História da Matemática venceu o Prêmio Jabuti. Em 2021 publiquei O dia em que voltamos de Marte, também finalista do Jabuti, e nele está o argumento que me trouxe até aqui: a ciência não vai nos tirar deste planeta, então ela precisa servir para tornar este planeta habitável. É um livro sobre mudança climática que é, no fundo, um livro sobre quem decide o que a ciência faz e para quem.

Escrever é o que me obriga a formular com precisão aquilo que na política costuma circular como palavra de ordem. Foi assim que cheguei à renda básica, tema que estudo e defendo, e por isso sou vice-presidente da Rede Brasileira de Renda Básica, que reúne pesquisadores, políticos e ativistas em torno da ideia de que combater a desigualdade exige garantir um piso material a todo mundo.

Não separo a autora da candidata. As propostas que apresento não saíram de pesquisa de opinião: saíram de anos formulando, publicando e sendo contestada em público. É esse tipo de mandato que quero exercer — um que sustente o que afirma e mude de posição quando o argumento do outro lado for melhor.

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